Um Fim-de-Semana… no Bairro 6 de Maio

Durante o fim-de-semana de 26 a 28 de Fevereiro, os voluntários GASNova estiveram no Centro Social 6 de Maio, situado junto ao Bairro 6 de Maio, na Venda Nova, Amadora.

Sem sabermos para onde íamos, tentávamos adivinhar com base nas placas que íamos passando. Mal vimos a placa “Damaia”, suspeitávamos que seria um bairro social, no entanto jamais poderia imaginar o que iria vivenciar naquelas 48h.

(Sofia Nunes)

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Figura 1- Voluntários GASNova em atividades com as crianças

O GASNova foi acolhido pelas irmãs do Centro Social 6 de Maio, que disponibilizaram as suas instalações para que os voluntários pernoitassem durante o fim-de-semana, e que fizeram uma breve contextualização da história do Bairro 6 de Maio e da construção do Centro Social. Os voluntários ficaram responsáveis por preparar uma tarde de diversão para as crianças e, no final do dia, fizeram uma visita pelo Bairro.

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Figura 2 – Fotografia tirada durante a visita ao Bairro 6 de Maio

Não foi só o aspeto do bairro e as condições em que aqueles seres humanos viviam que ficará para sempre na minha memória como um marco de “realidades complicadas”, mas também ficarão as pessoas que conheci. Cruzei o meu caminho com pessoas do bairro, pessoas com sonhos e medos, como qualquer um de nós. Crianças e jovens felizes, cheias de esperança e sorridentes. Fui recebida com um carinho indescritível de pessoas que, apesar do pouco que têm em termos materiais, têm um amor ilimitado e contagiante. Senti também a dor, a revolta e o medo que carregavam consigo, por um lado, por abandonar toda aquela comunidade, todos aqueles metros quadrados, que por mais degradantes que fossem, retratavam a sua história, foram testemunhas de uma vida, e por outro lado, o medo do desconhecido, de não saberem o que se encontrava fora daquele bairro e se sentirem desprotegidos e pouco apoiados.

(Sofia Nunes)

No Domingo, os voluntários animaram a missa do Centro Social, um momento sempre importante para as pessoas do Bairro, e terminaram almoçando a típica Cachupa!

Este fim-de-semana revelou-se marcante para todos aqueles que o viveram. Para os voluntários que o experienciaram pela primeira vez, foi a descoberta de uma realidade desconhecida para muitos. Para os voluntários que olharam o bairro pela segunda ou terceira vez, fica a tristeza de o ver a pouco e pouco mais vazio. Um Bairro que, apesar de tudo “aquilo que sai cá para fora”, sempre recebeu o GASNova tão bem, ao longo dos anos.

Como em todas as comunidades, há pessoas e pessoas. No entanto, mesmo as pessoas consideradas “más” pela sociedade, têm uma história e viveram uma realidade que os outros desconhecem e se tivéssemos nós vivenciado essa história, até que ponto não cometeríamos os mesmos atos? É preciso dar a mão a estas pessoas, a estas crianças, a estes jovens e adultos. É preciso acreditar no seu potencial e antes de julgar, ouvir as suas histórias. Pois, todos nós ainda temos tanto a aprender uns com os outros.

(Sofia Nunes)