Momento de Grupo: Telhal 2016

2016-12-11 19.02.24

No passado fim de semana entre 9 e 11 de Dezembro, tivemos a sorte de passar dois dias da nossa vida com pessoas que sofrem de doenças mentais. Como seres humanos pensantes que somos, conseguimos sentir a preocupação do aproximar de uma doença. Ainda que estas nos incapacitem, temos a convicção de que há determinadas coisas que não somos capazes de evitar.

Lidar com uma doença mental é a certeza da paciência que não temos para os ditos normais. É a certeza de que a normalidade não é mais do que uma palavra banal por nós proferida. É a certeza de que as capacidades dos doentes mentais nos incapacitam de lhes dar um atributo. Uma facilidade que a nossos olhos parece impossível de concretizar por parte deles. Mas para eles nada de impossível traz, apenas acarretam mais uma missão cumprida do seu dia a dia. Todas estas missões, ainda que poucas ou quase nenhumas em alguns casos, são forçosamente definidas por superiores. Superiores esses que nada mais têm para além da capacidade de raciocínio e de mobilidade. A tão falada e proferida mobilidade que lhes foi retirada por meio de múltiplos medicamentos que a doença os obriga a ingerir.

De todos os sítios marcantes que o caminho da minha vida me fez pisar, de todas as pessoas que por mim se cruzaram, estas foram das mais especiais e marcantes. Não só pela amabilidade como uma banal conversa foi tida em apreço por eles como também pela certeza de que seremos bem vindos da próxima vez que ao Telhal nos dirigirmos. A abertura física de um abraço bem apertado, acompanhada por uma abertura emocional daqueles que roubam a nossa atenção e nos captam e maravilham com as suas histórias. Eu, particularmente, afirmo que o voluntariado que fiz neste fim de semana me deu muito mais a ganhar a mim do que as pessoas que estão internadas no Telhal.

Rita Almeida